Thiago Mendes - Psicólogo Clínico

Todos já alucinamos um dia

Todos já alucinamos um dia

Na alucinação, o indivíduo relata ver, ou sentir, ou ouvir, ou combinados, na ausência do(s) estimulo(s) sensorial(ais) correspondente(s). Entre causas possíveis estão o uso de substâncias tóxicas, psicoativas, lesões ou infecções cerebrais, sono privado, epilepsia, esquizofrenia ou transtorno bipolar. Normalmente estão associadas a representações ou ideias já conhecidas e os significados das mesmas são relacionados às crenças e valores dessas pessoas. Por exemplo, o personagem Dom Quixote de La Mancha, que alucina batalhas épicas, tornando vívido um desejo de ser um grande cavaleiro.

Freud relacionou a alucinação ao próprio pensar, afirmando que quando bebês, nós alucinamos nossos desejos para suportar sua falta real, portanto está intimamente ligado ao sonho, à fantasia e ao desejar, junto com o delírio. Entretanto, sendo a alucinação um desvio da imaginação, uma percepção falsa do mundo, o delírio é convicção de crença inabalável pela lógica, provas ou argumentação.

Seguindo a linha freudiana, Winnicott diz que o bebê alucina o seio em sua falta e como a mãe é capaz de prover na realidade essa imaginação, o bebê acredita que criou esse seio. Ele chama de área de ilusão e está relacionado a sensação de onipotência e ao narcisismo primário dos bebês, sendo essenciais para o amadurecimento psíquico das pessoas.

Sob um olhar fenomenológico podemos também refletir: se o indivíduo acredita que aquilo é real, logo para ele existe, ou seja, se ele olha mais para seu mundo subjetivo do que objetivo, essa se torna sua realidade principal e o nosso mundo, o falso.

Portanto, a alucinação em sí não é apenas uma enfermidade, como manuais psicopatológicos preferem descrever. Obviamente, na grande maioria dos casos não é indício de boa saúde mental, mas sendo um mecanismo essencial no psiquismo humano primitivo, está associada à criatividade.


Referências: Alucinação e delírio na obra de Freud: produção de desejo – Isabel Fortes e Eduardo Leal O brincar e a realidade – Winnicott

 

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