Na infância, adquirimos por diversos motivos, um padrão de comportamento para se relacionar com nossos familiares mais próximos, e esse padrão acaba se atualizando com outras pessoas que vamos conhecendo ao longo da vida. Por exemplo, ao conhecer um professor posso utilizar do mesmo padrão de comportamento que usava com meu pai, inconscientemente.
É freqüente na clínica de psicologia encontrar pessoas com esses padrões crônicos e repetitivos de interação, que causam problemas na relações interpessoais.
Essa é apenas uma característica do poder do inconsciente, que possuem muitas outras forças de atuação. Dentro da terapia, o paciente costuma reencenar essa relação do passado junto ao psicólogo(a), inconscientemente em vez de lembrá-la, e, assim, introduz ao tratamento uma grande variedade de informações sobre suas relações passadas.
Quando alguém tem um ato falho, quando alguém conta uma história duas vezes e muda coisas de uma para outra, tudo isso indica para o psicólogo que esse paciente está tendo alguma interferência do inconsciente. Mas não só isso, como resmungos, pausas, deslizes, insultos, repetições de palavras, expressão corporal e sonhos são comunicações inconscientes.
Por isso a infância é muito importante na clínica, porque esclarece essas padrões de comportamento. Muitos acontecimentos da vida adulta são chamadas de destino, mas na realidade são o determinismo psíquico, ou seja, desejos inconscientes sendo realizados, o que também ocorre nessa “transferência de afetos para pessoas da vida adulta”.
Além disso, existe também a repetição de alguma vivencia significativa na infância, normalmente indesejada ou traumatizante, que de maneira também inconsciente ocorre na vida adulta. Muitas queixas de pessoas sobre algo que se repete em suas vidas pode ser essa tentativa de reviver alguma situação do passado que ficou marcada, com o objetivo de tentar elaborar. Por exemplo, uma mulher que só se envolve com homens agressivos, sendo que seu pai era agressivo, assim, ela tenta inconscientemente reviver um momento do passado com a intenção de entender e mudar o que aconteceu. Mas infelizmente isso nunca acontece.
Quebrar esse determinismo psíquico – “Meu sintoma não é meu destino” – nasceu com a psicanálise e é um dos objetivos da psicoterapia também!
Referência: “Psiquiatria Psicodinâmica” de Glen O. Gabbard
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