O que é ser EU?
O que é ser eu? O que é ser uma pessoa? O que é psique? O que é mente? Notem que todas as perguntas estão separadas, justamente porque não são a mesma coisa. Filósofos se questionam disso há séculos. O eu, por exemplo, possui muitos aspectos. Um deles é a representação que faço de mim mesmo. Outro é o conjunto de memórias pessoais, sendo que as mais significativas é que ficam á disposição da consciência e outras são dispensadas. Pensar que existem memórias que são dispensadas, indica que temos uma espécie de lixeira psíquica, com conteúdos que podemos retirar se precisarmos e outras memórias que realmente não fazemos questão de lembrar, mas que continua lá, oculta. Além disso, existem partes do eu que são construídas pela cultura, como a religião, a sociedade em que vivo, minha família. Mas a verdade é que ainda assim, não conseguimos nos perceber por completo. Por exemplo, as pessoas quando vêem uma gravação delas em vídeo, normalmente estranham alguma coisa. E assim novas perguntas surgem: Qual parte é mais verdadeira? A que é observada pelos outros ou a que eu acho que é de fato? A resposta pode ser nenhuma ou as duas: As duas, pois ninguém consegue me perceber por dentro, nem eu consigo saber como os outros me percebem por dentro delas. Ou nenhuma, pois o meu eu verdadeiro está por trás do que eu acho que é verdadeiro, mas que foi construído pela família, amigos e sociedade.

Referências: Glen O. Gabbard – “Psiquiatria Psicodinâmica” Winnicott – “O brincar e a realidade”