Quando o cuidado materno (não necessariamente da própria mãe) é suficientemente bom, o bebê experimenta uma continuidade de ser. Entretanto, quando ocorrem perturbações no ajuste da mãe e do ambiente à criança, como mudanças repetidas na técnica de maternagem, ruídos muito altos, falta de apoio, etc,; a continuidade do ser é interrompida, enfraquecendo o ego. Se ocorrem muitas perturbações no início da vida, o bebê sentirá ansiedades que lhe representam uma invasão do meio ambiente. Com isso, ele precisa reagir contra as invasões e como resultado, pode ocorrer alguma distorção do desenvolvimento, ocorrendo uma falha na estrutura da personalidade e na organização do ego. Podem ser observadas na clínica fazendo parte do quadro de várias síndromes psicóticas e autistas ou como um traço esquizoide escondido em uma personalidade não-psicótica. Outra alternativa é o bebê aceitar a invasão do ambiente através da submissão, iniciando um estado de falso self, perdendo a espontaneidade e a criatividade, características de saúde mental.
WINNICOTT em “O Ambiente e os Processos de Maturação”.